terça-feira, 19 de março de 2013

Quanto vale um segundo?


Aprendi o valor do segundo quando começei a trabalhar em redação de TV. Dez segundos a mais em uma reportagem no Jornal Nacional, por exemplo, é tempo que não se joga fora. Me lembro bem das campanhas eleitorais quando os candidatos tinham direito a um minuto de matéria – e nem um segundo a mais ou a menos, tudo devidamente cronometrado. 

Antes da experiência na reportagem já tinha vivido essa vivido essa angústia do tempo perdido quando fui produtora. Não dava para esperar até o dia seguinte para obter a resposta de um entrevistado, afinal, tínhamos uma pauta para fechar. Uma, duas, três horas no máximo e precisávamos saber: vai ou não vai dar entrevista? Quando o sujeito dizia que não, a gente precisava correr contra o tempo para pensar em outro assunto e agir imediatamente.

Era tudo muito rápido – pensar e agir.

Desde que deixei de trabalhar em redação comecei a observar outras maneiras de se relacionar com o tempo.

O tempo pode ser aliado.

Apesar disso, acho que a forma acelerada de pensar e de fazer, continua sendo muito apreciada de maneira geral, mesmo que isso signifique beirar o descartável.

“Nossa, como fulano é rápido! Ele resolve tudo tão depressa! Com ele, a fila anda!”

Andar ou atropelar?

“Ah... Fulano demora demais para responder o e-mail! Não posso esperar. Tenho que agendar outro compromisso. Afinal, tenho que ser rápido, dinâmico, minha agenda é cheia. Não posso perder tempo.”

Meu tempo é tão valioso - e eu nunca tenho tempo.

Deixa eu ver se entendi: o sujeito leva dois meses para responder um e-mail e, quando ele tem que esperar a resposta de volta, não atura três horas?  

De repente, me veio outra lembrança dos tempos de TV. As primeiras experiências nas entradas ao vivo. Eram angustiantes. “Você tem um minuto.” “Mas é muito pouco! Não dá pra nada!”. Um dia resolvi atribuir outro valor àquele minuto. Decidi que ele não seria um minuto qualquer. Seria o minuto possível. E ele passou a durar muito mais tempo.  
  

segunda-feira, 18 de março de 2013

Metade corpo, metade alma

Estamos na era do fazer. Pensar? É coisa de quem não tem o que fazer. Me lembro de quando minha filha nasceu e de como foi difícil parar pra pensar. Havia tanto a fazer... O engraçado é que o nascimento dela acabou sendo um momento estendido do pensar, do olhar, do rever.  

É o que pretendo fazer aqui.

Quero dar uma espiada no caminho. Tropeçar de vez em quando é bom. Tomar um susto, sabe? Recuar, às vezes. Duvidar. E ir adiante num caminho novo. Há sempre um "novo" por aí. Há sempre um jeito novo.

E é então que a metade alma aparece.