Aprendi o valor do segundo quando começei a trabalhar em
redação de TV. Dez segundos a mais em uma reportagem no Jornal Nacional, por
exemplo, é tempo que não se joga fora. Me lembro bem das campanhas eleitorais
quando os candidatos tinham direito a um minuto de matéria – e nem um segundo a
mais ou a menos, tudo devidamente cronometrado.
Antes da experiência na reportagem já tinha vivido essa
vivido essa angústia do tempo perdido quando fui produtora. Não dava para
esperar até o dia seguinte para obter a resposta de um entrevistado, afinal,
tínhamos uma pauta para fechar. Uma, duas, três horas no máximo e precisávamos
saber: vai ou não vai dar entrevista? Quando o sujeito dizia que não, a gente
precisava correr contra o tempo para pensar em outro assunto e agir
imediatamente.
Era tudo muito rápido – pensar e agir.
Desde que deixei de trabalhar em redação comecei a observar outras maneiras de se relacionar com o tempo.
O tempo pode ser aliado.
Apesar disso, acho que a forma acelerada de pensar e de fazer, continua sendo muito apreciada de maneira geral, mesmo que isso signifique beirar o descartável.
“Nossa, como fulano é rápido! Ele resolve tudo tão depressa! Com ele, a fila anda!”
Andar ou atropelar?
“Ah... Fulano demora demais para responder o e-mail! Não posso esperar. Tenho que agendar outro compromisso. Afinal, tenho que ser rápido, dinâmico, minha agenda é cheia. Não posso perder tempo.”
Meu tempo é tão valioso - e eu nunca tenho tempo.
Deixa eu ver se entendi: o sujeito leva dois meses para responder um e-mail e, quando ele tem que esperar a resposta de volta, não atura três horas?
De repente, me veio outra lembrança dos tempos de TV. As primeiras experiências nas entradas ao vivo. Eram angustiantes. “Você tem um minuto.” “Mas é muito pouco! Não dá pra nada!”. Um dia resolvi atribuir outro valor àquele minuto. Decidi que ele não seria um minuto qualquer. Seria o minuto possível. E ele passou a durar muito mais tempo.
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